Theory and History of Ontology

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Theory and History of Ontology by Raul Corazzon | e-mail: rc@ontology.co

 

BIBLIOGRAFIA DOS ESTUDOS SOBRE PARMÊNIDES EM PORTUGUÊS

Bibliografia

  1. Barbosa, Rafael Mello. 2015. "Sobre o Princípio de não-contradição : Entre Parmênides e Aristóteles." Anais de Filosofia Clássica no. 9:13-25.

    Resumo: "O artigo procura mostrar que Parmênides não deve ser considerado percursor do princípio de não contradição. Não são poucos aqueles que compreendem os versos B2 do poema de Parmênides como o princípio de não contradição avant la lettre. Contudo, quando se realiza tal aproximação, perdemos de vista aquilo que parece ser próprio de cada autor. Por um lado, Parmênides defende o Monon On, o Ser Único, como testemunham Platão, Zenão e Melisso. Por outro lado, é preciso não assumir uma parte mais fundamental da formulação do princípio de não contradição, do contrário teríamos que sustentar um princípio do princípio mais fundamental, o que implica ter que manter o movimento e a pluralidade como itens essenciais da formulação do primeiro princípio."

  2. Bernabé, Alberto. 2013. "Filosofía e mistérios: leitura do proêmio de Parmênides." Archai. Revista de Estudos sobre as Origens do Pensamento Ocidental no. 10:37-58.

    Resumo: "Tem-se analisado, recorrentemente, a influência de Homero e de Hesíodo no proêmio do poema de Parmênides. As possíveis influências da poesia órfica tem sido apenas consideradas.

    Todavia, diversas descobertas de textos órficos aconselham voltar a analisar os vestígios da tradição mistérica, em geral, e órfica, em particular, no poema do filósofo de Eléia, sem minimizar, com isso, as outras influências já postas em relevo.

    O autor assinalou, em um trabalho anterior, algumas conexões entre Parmênides e os textos órficos; neste artigo, a análise se centra nos pontos de contato com ideias e imagens literárias dos Mistérios que se encontram no proêmio. Não se trata de determinar as crenças do filósofo, senão de situar, no âmbito da tradição, os conteúdos doutrinais e/ou poéticos expressados nesta parte fundamental do seu poema, para fazer ver o que têm de poderosamente originais e, em consequência, tratar de determinar o significado do proêmio no conjunto da obra."

  3. Casertano, Giovanni. 2007. "A cidade, o verdadeiro e o falso em Parmênides." Kriterion. Revista de Filosofia no. 116:307-327.

    Resumo: "Parte da historiografia filosófica da segunda metade do século XIX se empenha em renovar a imagem de Parmênides de Eléia fixada pela tradição – filósofo do imobilismo, isolado, estranho e venerável – recuperando as relações estreitas que ele mantinha com as exigências da cultura de sua época. O propósito deste artigo é reconduzir Parmênides ao seu tempo, apontando o pensamento vivo de um homem que foi não apenas filósofo, mas também cientista e político de grande relevo."

  4. Cordero, Néstor-Luis. 2011. Sendo, se é. A Tese de Parmênides. São Paulo: Odysseus.

    Tradução de Eduardo Wolf.

  5. de Azevedo, Cristiane A. 2017. "O discurso sobre o devir no poema de Parmênides: a presença fundamental de Éros na constituição do cosmos e do homem." Revista Enunciação no. 2:72-84.

    Resumo: "Este artigo pretende, primeiramente, voltar-se para a última parte do poema de Parmênides que ficou ao longo de séculos relegada ao âmbito do não-ser, da aparência ou da falta de verdade. Este discurso trata da dóxa dos mortais e apresenta os elementos que formam a cosmologia. Nosso objetivo é pensar a dóxa de maneira positiva, constituindo-se como a maneira própria de falar daquilo que está sujeito ao devir, a saber, o sol, a lua, as estrelas, a Via Láctea, o homem. Em um segundo momento, vamos pensar não só a presença e a função de Éros no cosmos construído pelo pensamento de Parmênides mas também sua importância para o homem."

  6. Galgano, Nicola Stefano. 2012. "DK 28 1.29. A verdade tem um coração intrépido?" In Una mirada actual a la filosofía griega. Ponencias del II Congreso Internacional de Filosofía Griega de la Sociedad Ibérica de Filosofía Griega, 189-202. Madrid-Mallorca: Ediciones de la Sociedad Ibérica de Filosofía Griega (SIFG).

    "O artigo estuda uma das passagens mais famosas do Poema de Parmênides, o verso 29 do fragmento 1, Ἀληθέιης εὐκυκλέος ἀτρεμές ἦτορ, que literalmente pode ser assim traduzido: «o coração intrépido da verdade bem redonda». Essas palavras são proferidas por uma deusa anônima a um discípulo e querem expor o programa de ensino da divina mestra: o discípulo tem que aprender a verdade, mas também as opiniões dos mortais. Todos os estudiosos interpretam esse verso como metáfora, onde as expressões ‘coração intrépido’ e ‘bem redonda’ formam a imagem de uma ‘verdade imortal’ oposta às ‘opiniões dos mortais’.

    O artigo questiona esta interpretação metafórica, talvez platonizante, alegando três tipos de considerações: literárias, (imagem imprópria de um coração que não bate, intrépido), históricas (pela fisiologia da época o coração é também a sede do pensamento) e filológicas (o termo para significar ‘centro’ é καρδία e não ἦτορ). A nova tradução proposta mostra que Parmênides queria dizer algo mais simples, isto é, ‘a mente firme da verdade bem conexa’, apontando para um fenômeno psicológico, a persuasão, sucessivamente retomado no fragmento 2." (p. 189)

  7. ———. 2016. "Os limites da palavra: Parmênides e o indizível." Revista Ética e Filosofía Política no. 2:4-24.

    Resumo: "A importância do papel de Parmênides na história da filosofia foi evidenciada por Hegel, quando chegou a considerá-lo o primeiro verdadeiro filósofo. No entanto, o hegelianismo e, com ele, a moderna história da filosofia acentuaram a descoberta parmenidiana do ser, deixando de lado a complexa noção de não-ser. Mas o próprio Parmênides, ao introduzir aquelas noções, se dedica mais à explicitação e à argumentação do não-ser, mostrando algumas características peculiares que acabam tendo consequências sobre a estruturação do discurso cognitivo. Uma destas características é a indizibilidade do não ser, demonstrada por Parmênides indiretamente. Com a afirmação da indizibilidade, Parmênides estabelece, pela primeira vez na história do pensamento ocidental, um limite para o uso da linguagem e, portanto, um critério para o desenvolvimento do discurso epistêmico, uma autêntica regra metalinguística. A presente análise procura evidenciar os argumentos de Parmênides a partir do texto do poema, revelando a sutileza da reflexão do eleata, o primeiro a introduzir a problemática da linguagem epistêmica na cultura ocidental."

  8. Huguenin, Rafael. 2009. "Sugestões para a interpretação do poema de Parmênides." Síntese. Revista de Filosofia no. 36:197-218.

    Resumo:" O objetivo deste artigo é oferecer uma sugestão para uma nova interpretação do poema de Parmênides. Para isso, em um primeiro momento, (I) discutiremos algumas abordagens tradicionais das duas vias de conhecimento no fragmento 2 e suas relações com as funções do verbo grego ‘ser’. Depois, (II) faremos uma exposição da tese de Charles Kahn acerca dos usos antigos do verbo ‘ser’, que coloca a questão em novos termos. Para concluir, (III) mostraremos como alguns aspectos da tradição oral, na qual o poema está certamente inserido, podem iluminar a interpretação dos problemas aos quais ele se dirige."

  9. ———. 2013. "Parmênides e Frege: um breve estudo sobre as relações entre o poema sobre a natureza e as investigações lógicas." Kriterion. Revista de Filosofia no. 54:7-24.

    Resumo: "O presente texto tem como objetivo estabelecer algumas relações entre o poema de Parmênides e as Investigações Lógicas, de Frege.

    Mais especificamente, nosso objetivo é iluminar certos aspectos do poema de Parmênides por meio de uma comparação com certas noções utilizadas por Frege para caracterizar aspectos centrais de seu pensamento."

  10. ———. 2015. "O fragmento B4 de Parmênides à luz da épica." Prometeus - Filosofia no. 8:218-227.

    Resumo: "O propósito do presente texto é interpretar alguns termos empregados por Parmênides de Eléia em seu fragmento B4 à luz dos usos homéricos dos mesmos termos, em especial aqueles utilizados em contextos militares"

  11. Kahn, Charles H. 1997. Sobre o verbo grego ser o conceito de ser. Rio de Janeiro: Núcleo de Estudos de Filosofia Antiga (Depto. de Filosofia da PUC-Rio).

    Sumário: Editorial V; Apresentação IX; O Verbo Grego "Ser" e o Conceito de Ser 1; Sobre a Teoria do Verbo "Ser" 33; Sobre a Terminologia para Cópula e Existência 63; Por que a Existência não emerge como um Conceito distinto na Filosofia Grega ? 91; Alguns Usos Filosóficos do Verbo "Ser"em Platão 107; Retrospectiva do Verbo "Ser" e do Conceito de Ser 155; Ser em Parmênides e em Platão 197-227.

    Apresentação: "No artigo "Retrospectiva sobre o Verbo 'Ser' e o Conceito de Ser", incluído nesta coletânea, Charles Kahn apresenta as razões que o levaram a investigar o verbo grego einai: seu objetivo era "fornecer uma espécie de prolegômenos gramaticais ao estudo da ontologia grega". Desconfiado de uma compreensão do verbo einâi que se tinha tornado cristalizada, e que lhe atribuía esquematicamente ou bem um uso copulativo ou o sentido de existência, desconfiado além disso da própria noção de existência a ele associada sem nenhuma crítica, Kahn empreendeu um estudo sobre os usos ordinários do verbo, independentes de seu uso especial pelos filósofos, a fim de "esclarecer o ponto de partida pré-teórico para as doutrinas do Ser desenvolvidas por Parmênides, Platão, Aristóteles".

    Kahn começou a publicar os resultados de suas pesquisas em 1966, com o artigo que abre este volume, "O Verbo Grego 'Ser' e o Conceito de Ser". A partir daí, nunca mais o verbo grego ser foi o mesmo.

    As revelações de Charles Kahn sobre os usos e sentidos do verbo einai supreenderam os meios acadêmicos, e obrigaram a uma revisão radical de interpretações tradicionais não só sobre o sentido do verbo ser nos textos gregos, mas sobre o sentido dos próprios textos dos filósofos que forjaram o conceito de Ser, o fundamento por excelência do pensamento filosófico ocidental. O que realmente disseram Parmênides, Platão, Aristóteles, quando falaram sobre ser e o Ser? Tudo teve de ser revisto, e as polêmicas, evidentemente, não poderiam faltar. Nos debates em que se viu envolvido, Charles Kahn soube defender suas posições e soube ouvir seus opositores. Dessa escuta atenta são prova os ajustes e precisões introduzidos em suas teses ao longo do tempo. Seria redundante, na ocasião em que publicamos seus textos, apresentar, ainda que resumidamente, tanto as teses originais de Kahn quanto os ajustes e precisões a que nos referimos. Os artigos desta coletânea estão organizados cronologicamente, para que o leitor possa acompanhar essa evolução." (pp. IX-X)

  12. Pereira da Silva, José Lourenço. 2010. "Sobre o conceito de Noeîn em Parmênides." Dissertatio no. 32:177-191.

    Resumo: "O verbo noeîn e sua substantivação nóos pertencem ao vocabulário cognitivo grego na literatura épica e pré-socrática comunicando a ideia de uma apreensão imediata da realidade ou da verdade de um objeto, isto é, um tipo de cognição análogo à percepção

    sensível em seu caráter intuitivo e direto. Segundo Von Fritz, esses conceitos passaram por uma evolução na qual Parmênides representa um momento decisivo. Em Parmênides, sem perder o aspecto preponderante de uma intuição da natureza das coisas – portanto de captar o ser (tò eón) – o nóos também opera como raciocínio lógico. Quer dizer, noeîn-nóos exerce uma dupla função: é o contato direto com a realidade última e o pensamento discursivo, que argumenta, infere e deduz. Nosso propósito aqui é mostrar como, em Parmênides, essas funções do nóos se encontram articuladas."

  13. ———. 2014. "Sobre alguns problemas de interpretação difícil no Poema de Parmênides." Hypnos no. 12:108-129.

    Resumo: "Parmênides de Eléia é o mais importante pensador pré-socrático.

    Seu poema filosófico marca um momento decisivo na história da investigação racional no século V a.C. Os fragmentos restantes, objeto de amplo debate entre os estudiosos da filosofia antiga, apresenta problemas para a interpretação do pensamento de Parmênides. Focalizando sua 'via da Verdade', sugiro uma interpretação das lições de Parmênides sobre o ser. Examino três problemas cruciais extensamente tratados na literatura crítica sobre Parmênides: (i) sua relação com outros filósofos do seu tempo, (ii) o sujeito do verbo ser em seu poema, e (iii) o significado desse verbo no fragmento 2."

  14. Santoro, Fernando. 2008. "As provas contra o ente, no tribunal de Parmênides." O que nos faz pensar no. 17:35-45.

    Resumo: "Confluem, para a originalidade da linguagem ontológica de Parmênides, determinadas figuras de linguagem (skhemáta léxeon) do campo discursivo da veracidade, entre as quais destacam-se figuras da nascente retórica forense. Isto, evidentemente, já na tradição originária dos filósofos que falam da natureza, que Aristóteles chamou de físicos, fisiólogos. No fragmento 8, a Deusa do Poema de Parmênides leva o ente ao tribunal, denuncia-lhe os sinais (sémata) e por fim amarra-o nos liames da Necessidade."

  15. Santoro, Fernando, Cairus, Henrique, and Ribeiro, Tatiana, eds. 2009. Acerca do Poema de Parmênides. Rio de Janeiro: Azougue Editorial.

    Prefácio 5; Néstor Cordero: En Parmenides, ‘tertium non datur’ 11; José Trindade Santos: Parménides contra Parménides 23; Emmanuel Carneiro Leão: O homem no Poema de Parmênides 43; Giovanni Casertano: Verdade e erro no Poema de Parménides 53; Chiara Robbiano: Duas fases parmenídeas ao longo da via para a Verdade: elenkhos e ananke 65; Charles Kahn: Algumas questões controversas na interpretação de Parmênides 79; Fernando Muniz: A Odisséia de Parmênides 91; Luis Felipe Belintani Ribeiro: Parmênides trágico 97;

    Gérard Émile Grimberg: Parmênides e a matemática 107; Carla Francalanci: O diálogo Sofista à sombra de Parmênides 119; Fernando Pessoa: Entre pensar e ser, Heidegger e Parmênides 127; Gisele Amaral: A necessidade do dizer 135; Gabriele Cornelli: A descida de Parmênides: anotações geofilosóficas às margens do prólogo 139; Izabela Bocayuva: O Poema de Parmênides e a viagem iniciática 149; Markus Figueira: O atomismo antigo e o legado de Parmênides 161; Marcus Reis Pinheiro: Plotino, exegeta de Platão e Parmênides 171;

    Alexandre Costa: O sentido histórico-filosófico do Poema de Parmênides 181; Marcelo Pimenta Marques: Relendo o Fragmento 4 de Parmênides 213; Bibliografia 225-235.

  16. Soares, Marcio. 2008. "Sobre ser, pensamento e discurso no poema de Parmênides." Intuitio no. 1:232-248.

    Resumo: "Visamos tratar das relações entre ser, pensar e dizer na filosofia de Parmênides de Eléia.

    Nesse sentido, procuramos demonstrar a sistemática imbricação entre essas três dimensões, na medida em que, segundo o Filósofo eleata, apenas o que realmente é (o ser) pode ser dito e pensado, como uma senda segura de investigação filosófica. Visamos, ainda, demonstrar que o nãoser acaba por figurar apenas como uma expressão lingüística puramente negativa na filosofia parmenídica, sem qualquer correspondência real (ôntica). Com isso, queremos defender que a via do não-ser e a opinião dos homens mortais são distintas e não podem ser confundidas. A partir dessa proposta interpretativa do poema de Parmênides, especulamos sobre os limites e paradoxos de sua filosofia ao pensar o não-ser como expressão negativa na linguagem, ao mesmo tempo em que o Filósofo proíbe completamente sua investigação. Também procuramos, ao final do texto, discutir o próprio conceito de discurso que resulta como conseqüência da filosofia parmenídica, especialmente em relação à opinião.

    Para tanto, começamos analisando o proêmio do poema parmenídico desde a perspectiva da tradição poética grega, tentando demonstrar que nosso Filósofo reside em uma região fronteiriça entre a poesia e a filosofia nascente."

  17. Trindade Santos, José. 2012. "A questao da "Existencia" no Poema de Parmenides." Filosofi a Unisinos no. 13:182-198.

    Resumo: "O texto estuda o uso do verbo grego ‘ser’ por Parmênides com vista ao estabelecimento do conceito de ‘ser’ pelos pensadores por ele infl uenciados.

    Foca a noção de ‘existência’ tentando avaliar a correcção do nosso uso do verbo ‘existir’ para traduzir o verbo grego ‘einai’ no Peri physeôs. Baseado em considerações de ordem cognitiva, Parmênides avança a sua tese sobre a impossibilidade de conhecer “o que não é” (B2.5-8a) visando estabelecer “o que é” como “o que há para pensar” (B2.2; B8.15-18), para permitir a identidade de “pensar” e “ser” (B3; B8.34). Se, ao longo do argumento da Via da Verdade, Parmênides lê a existência como um pressuposto de “o que é”, mas nunca como um predicado separado, devem ser rejeitadas as leituras existenciais do verbo ‘ser’ nas traduções das expressões que nomeiam os dois caminhos (B2.3; B2.5)."

  18. ———. 2012. "A leitura de "É/Enao É" a partir de Parmênides, B2." Dissertatio no. 36:11-31.

    Resumo: "Interpreto antepredicativamente o argumento de Parmênides na “verdade” do Da natureza. Chamo ‘antepredicativa’ a uma interpretação que, explorando a ausência de sujeito e predicado em “é/não é” (B2.3,5), lê os dois caminhos como expressões autoreferenciais, negando às formas verbais usadas o valor de cópulas. Da incognoscibilidade de “que não é” (B2.6-8a) resulta a “decisão de abandonar esse ‘não-nome’ (anônymon: B8.17) como via de investigação” (B8.17-18a), “deixando” ‘que é’ (B8.2) como o único [‘nome’]” (B8.1b-2a) que “pode ser pensado” (B8.18b). Nesta interpretação, ‘ser’ não é objeto de ‘pensar’, nem pensar’/‘pensamento’ a faculdade que capta o “ser” (B3, B8.34), mas o estado cognitivo infalível em que “pensamento, pensar e pensado são” (B6.1a). A leitura antepredicativa de Parmênides deixou sinais em textos de Platão, Górgias e Protágoras, alguns anunciando a captação da antepredicatividade pela predicação, nos diálogos platônicos."

  19. ———. 2015. "Parmênides e a antepredicatividade." Filosofia. Revista da Faculdade de Letras da Universidade do Porto no. 32:9-33.

    Resumo: "O texto propõe uma interpretação antepredicativa dos argumentos de Parménides na Alêtheia do seu Poema. Lida antepredicativamente, a oposição do par de esti sem sujeito em ambos os «caminhos para pensar» (B2.2) implica apenas que se um deles «é» (B2.3), então necessariamente o outro «não é» (B2.5). Esta oposição justifica a necessidade de escolher (B8.15) entre eles, abandonando «a via impensável e anónima » (B8.17-18; B2.7-8), consequentemente deixando «é» como a via autêntica (B8.18). Devido ao hábito de confiar nas sensopercepções (b7.3-5a), as «opiniões dos mortais» ignoram esta oposição (B64-9), «considerando o ser e não-ser o mesmo e o não-mesmo» (B6.8-9a; B8.40). Contudo, os homens não deviam errar (B8.54), levados pela mistura dos seus membros (B16.1-2a), «pois, o pleno é pensamento » (B16.4b; B9.1-4)."

  20. Vanin, Andrei Pdro. 2017. "As ‘Raizes da verdade' no proêmio do poema 'Da natureza' de Parmênides." Gavagai no. 4:103-120.

    Resumo: "O texto procura evidenciar como algumas noções de verdade presentes, sobretudo, na Odisseia e na Ilíada, influenciaram a definição de verdade proposto no poema Da Natureza de Parmênides. A vasta literatura a respeito do tema, de modo geral, considera Parmênides o ‘divisor de águas’ entre a poesia e filosofia. Dada a importância filosófica do poema, ao enunciar pela primeira vez a identidade entre o ser e o pensar, esquece-se de ressaltar, no mais das vezes, fato não menos importante, a teoria literária subjacente ao poema, bem como as influências e semelhanças com os mitos precedentes. Sendo assim, parte-se de uma rápida caracterização do modo pelo qual a noção de verdade é apresentada em passagens específicas da Odisseia e da Ilíada. O segundomomento, apresenta rapidamente e de modo geral, a noção de verdade no poema de Parmênides, para após, buscar por contraste as semelhanças/dessemelhanças em relação aos poemas ditos homéricos, centrando-se a análise no proêmio do poema Da Natureza, onde pode-se ilustrar um contexto de teoria literária arcaica específico presente em ambos os textos a serem analisados, a saber: a adequação do assunto e estilo."

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